quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
domingo, 31 de outubro de 2010
Nossa Senhora da Piedade
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Guimarães, Capela dos Pinheiros na Igreja da Colegiada
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domingo, 12 de setembro de 2010
Os Descalvados
Descalvados
Este ano estive na histórica Fazenda Descalvados em compania do guia Marcelo Pádua. A Fazenda Descalvados é testemunha e personagem da história mato-grossense desde o século passado. Foi o principal pilar da lucrativa indústria do charque que, segundo historiadores, viveu seu período áureo durante a 1ª Guerra Mundial, em decorrência da escassez de carne na Europa. Dizem que durante a época áurea, a fazenda chegou a ter 600 mil cabeças de gado, e abatia cerca de 30 mil cabeças por ano, em uma área que chegou a ter quase 1 milhão de hectares. Mais tarde chegou a ter até mesmo um Código de Endereçamento Postal (CEP) particular.
Em 1881, o uruguaio de origem catalã, Jaime Cibils Buxareo arremata, em leilão, na Vila Maria, hoje Cáceres, o espólio do Major João Carlos Pereira Leite, a fazenda Descalvados. Adquiriu também uma charqueada, a ela associada, estabelecida desde 1870, pelo argentino Rafael del-Sar, onde Cibilis instalou uma fábrica de extrato de carne, dando início ao período áureo da Descalvados. Em 1895, formou-se, com Cibils, uma firma – “Compagnie de Produits Ciibils, Societé Anonyme à Anvers”. Mais tarde, a firma Cibils foi encampada pelo Banque d’Outremer e pela Societé du Haut-Congo. O Banco d’Outremer entrou, em 1905, com o “Domínio dos Descalvados” para uma nova entidade que se constituira em “Societé Industrielle et Agricole au Brésil, Soocieté Anonyme, à Bruxelles”.
A localização privilegiada da Fazenda Descalvados facilitava o transporte fluvial dos produtos e a exportação para a Europa. No auge da produção, conta-se que se chegou a abater 30 mil cabeças de boi por ano. Mas, em 1904, o gado local estava tão desfalcado que era preciso comprar das fazendas vizinhas para não diminuir o ritmo da produção. Essas dificuldades teriam levado os belgas a voltar suas atenções para o extrativismo mineral e da borracha, mas com a crise desses produtos, iniciada em 1905, os belgas alteraram seus planos para o Pantanal e, em 1911, a Descalvados acabou passando ao domínio de um conglomerado financeiro dirigido pelo norte-americano Percival Farquhar, que fundou a Brazil Land, Cattle and Packing Company, com capitais procedentes de vários países. Na Era Vargas, a Descalvados foi encampadapelo governo brasileiro e o interventor, o deputado Carlos Vandoni de Barros, loteou a fazenda. Os irmãos Lacerda compraram a maior parte e, depois, Luiz Esteves Pinheiro de Lacerda adquiriu as terras dos irmãos.
Quem vê a sede da Fazenda Descalvados, com varandas por onde se descortina o rio Paraguai, sua escada de ferro, a capela com imagens de santo em tamanho natural, pressente que ali foi cenário de muitas histórias. Mas, nem com toda a imaginação do mundo, o cacerense e/ou turista deste final de milênio conseguirá reconstituir tudo que se passou nessa fazenda lendária, situada a cerca de 140 quilômetros da cidade de Cáceres. Com o advento do turismo, a Descalvados ressurge como um dos mais belos cartões postais do Mato Grosso e aponta em direção a um futuro, ligado às belezas naturais e à preservação do patrimônio histórico.
A fazenda é hoje operada pela Lenda Turismo
Segue abaixo, breve relato de Theodore Roosevelt contando a sua passagem pela fazenda
“ Certa tarde nos detivemos na sede da grande e longíqua empresa “Brazil Land and Cattle Company”, ( Sindicato Farquahar), sob a direção de Murdo Mackenzie – cidadão e criador que não encontraríamos melhor nos Estados Unidos. Há nesta fazenda cerca de setenta mil cabeças de gado. Fomos calorosamente recebidos por Mac Lean, administrador da fazenda, e pelo seu assistente Ramsey, velho amigo do Texas. Entre os outros auxiliares, todos muito cordiais, havia alguns belgas e franceses. Os trabalhadores eram paraguaios e brasileiros e uns poucos índios. Formavam um grupo disposto; todos conduziam armas que sabiam manejar com habilidade, de vez que a fazenda não dispunha de outro meio de defesa contra ladrões de gado, que atravessando constantemente a fronteira da Bolívia, davam margem a refregas repetidas. Os vaqueiros eram do tipo com o qual já estávamos bastante familiarizados: pele bronzeada, magros, mal-encarados, chapéus deformados, camisas e calças surradíssimas, avental de couro com franjas e pesadas esporas nos pés descalços. São excelentes cavaleiros e laçadores e não têm medo de homens nem de feras. Notei que um índio vaqueiro se achava justamente na posição muito usada pelos schillucks do Nilo Branco, isto é, com a sola de um dos pés assente sobre a outra perna logo acima dos joelhos. Aquela região apresenta possibilidades extraordinárias para a criação de gado. Havia na fazenda: curtume, açougue, oficina de latoeiro, igreja e vários outros prédios com todos os graus de conforto, destinados às trinta ou quarenta famílias que alí faziam sua moradia, além da grande e bela casa de dois pavimentos, na margem do rio, que, entre limoeiros e flamboyants, exibia a brancura de suas paredes. Encontravam-se ali todas as espécies de bichos domesticados que serviam de distração ao pessoal. Dentre esses, destacava-se um veadinho com malhas brancas, sempre ávido de afagos. Meia dúzia de mutuns e jacus perambulava pelas dependências da casa; havia também papagaios de diversos tipos. Pelas imediações, quatro a cinco garças permitiram que delas nos aproximássemos até poucos passos, para só então voar graciosamente, regressando, logo em seguida, ao mesmo sítio”.
- Texto extraído do livro “Nas Selvas do Brasil” de Theodore Roosevelt.- Livraria Itatiaia Ltda. – SP 1976. Título do original americano publicado em 1914: “Through the Brazilian Wilderness”.
Sede da Fazenda Descalvados, agora sendo restaurada. Nikon D3x, Nikon PC-E 24mm f/3.5D ED.
Por essas portas passaram o ex-presidente norte americano Theodore Roosevelt que descreve brevemente a fazenda no livro "Nas Selvas do Brasil”. Nikon D3x, Nikon AF-S Zoom 14-24mm f/2.8G ED.
Escada de metal inteira trabalhada trazida da Inglaterra ainda na época dos belgas. Nikon D3x, Nikon AF-S Zoom 14-24mm f/2.8G ED
Vista da varanda da sede, onde se descortina o nascer do sol no Rio Paraguai. Nikon D3x, Nikon PC-E 24mm f/3.5D ED.
Um dos alojamentos dos empregados, antes de serem reastaurados. Nikon D3x, Nikon PC-E 24mm f/3.5D ED.
O cemitério abriga vários personagens da história da fazenda. Nikon D3x, Nikon PC-E 24mm f/3.5D ED.
Da esquerda para a direita: parte da oficina e charquearia, a casa do capataz, a pensão, alojamentos dos empregados. Nikon D3x, Nikon PC-E 24mm f/3.5D ED.
Interior do alojamentos dos empregados, composta de uma sala, um quarto e cozinha. Nikon D3x, Nikon PC-E 24mm f/3.5D ED.
A pequena igreja com imagens em tamanho natural de Nossa Senhora, São Roque e São Brás. Nikon D3x, Nikon PC-E 24mm f/3.5D ED.
O "sangueduto", que levada o sangue dos bois mortos na charquearia para o rio Paraguai. Nikon D3x, Nikon AF-S Zoom 14-24mm f/2.8G ED.
Portas da caldeira belga que fornecia energia para a fabrica. Nikon D3x, Nikon PC-E 24mm f/3.5D ED.
Este ano estive na histórica Fazenda Descalvados em compania do guia Marcelo Pádua. A Fazenda Descalvados é testemunha e personagem da história mato-grossense desde o século passado. Foi o principal pilar da lucrativa indústria do charque que, segundo historiadores, viveu seu período áureo durante a 1ª Guerra Mundial, em decorrência da escassez de carne na Europa. Dizem que durante a época áurea, a fazenda chegou a ter 600 mil cabeças de gado, e abatia cerca de 30 mil cabeças por ano, em uma área que chegou a ter quase 1 milhão de hectares. Mais tarde chegou a ter até mesmo um Código de Endereçamento Postal (CEP) particular.
Em 1881, o uruguaio de origem catalã, Jaime Cibils Buxareo arremata, em leilão, na Vila Maria, hoje Cáceres, o espólio do Major João Carlos Pereira Leite, a fazenda Descalvados. Adquiriu também uma charqueada, a ela associada, estabelecida desde 1870, pelo argentino Rafael del-Sar, onde Cibilis instalou uma fábrica de extrato de carne, dando início ao período áureo da Descalvados. Em 1895, formou-se, com Cibils, uma firma – “Compagnie de Produits Ciibils, Societé Anonyme à Anvers”. Mais tarde, a firma Cibils foi encampada pelo Banque d’Outremer e pela Societé du Haut-Congo. O Banco d’Outremer entrou, em 1905, com o “Domínio dos Descalvados” para uma nova entidade que se constituira em “Societé Industrielle et Agricole au Brésil, Soocieté Anonyme, à Bruxelles”.
A localização privilegiada da Fazenda Descalvados facilitava o transporte fluvial dos produtos e a exportação para a Europa. No auge da produção, conta-se que se chegou a abater 30 mil cabeças de boi por ano. Mas, em 1904, o gado local estava tão desfalcado que era preciso comprar das fazendas vizinhas para não diminuir o ritmo da produção. Essas dificuldades teriam levado os belgas a voltar suas atenções para o extrativismo mineral e da borracha, mas com a crise desses produtos, iniciada em 1905, os belgas alteraram seus planos para o Pantanal e, em 1911, a Descalvados acabou passando ao domínio de um conglomerado financeiro dirigido pelo norte-americano Percival Farquhar, que fundou a Brazil Land, Cattle and Packing Company, com capitais procedentes de vários países. Na Era Vargas, a Descalvados foi encampadapelo governo brasileiro e o interventor, o deputado Carlos Vandoni de Barros, loteou a fazenda. Os irmãos Lacerda compraram a maior parte e, depois, Luiz Esteves Pinheiro de Lacerda adquiriu as terras dos irmãos.
Quem vê a sede da Fazenda Descalvados, com varandas por onde se descortina o rio Paraguai, sua escada de ferro, a capela com imagens de santo em tamanho natural, pressente que ali foi cenário de muitas histórias. Mas, nem com toda a imaginação do mundo, o cacerense e/ou turista deste final de milênio conseguirá reconstituir tudo que se passou nessa fazenda lendária, situada a cerca de 140 quilômetros da cidade de Cáceres. Com o advento do turismo, a Descalvados ressurge como um dos mais belos cartões postais do Mato Grosso e aponta em direção a um futuro, ligado às belezas naturais e à preservação do patrimônio histórico.
A fazenda é hoje operada pela Lenda Turismo
Segue abaixo, breve relato de Theodore Roosevelt contando a sua passagem pela fazenda
“ Certa tarde nos detivemos na sede da grande e longíqua empresa “Brazil Land and Cattle Company”, ( Sindicato Farquahar), sob a direção de Murdo Mackenzie – cidadão e criador que não encontraríamos melhor nos Estados Unidos. Há nesta fazenda cerca de setenta mil cabeças de gado. Fomos calorosamente recebidos por Mac Lean, administrador da fazenda, e pelo seu assistente Ramsey, velho amigo do Texas. Entre os outros auxiliares, todos muito cordiais, havia alguns belgas e franceses. Os trabalhadores eram paraguaios e brasileiros e uns poucos índios. Formavam um grupo disposto; todos conduziam armas que sabiam manejar com habilidade, de vez que a fazenda não dispunha de outro meio de defesa contra ladrões de gado, que atravessando constantemente a fronteira da Bolívia, davam margem a refregas repetidas. Os vaqueiros eram do tipo com o qual já estávamos bastante familiarizados: pele bronzeada, magros, mal-encarados, chapéus deformados, camisas e calças surradíssimas, avental de couro com franjas e pesadas esporas nos pés descalços. São excelentes cavaleiros e laçadores e não têm medo de homens nem de feras. Notei que um índio vaqueiro se achava justamente na posição muito usada pelos schillucks do Nilo Branco, isto é, com a sola de um dos pés assente sobre a outra perna logo acima dos joelhos. Aquela região apresenta possibilidades extraordinárias para a criação de gado. Havia na fazenda: curtume, açougue, oficina de latoeiro, igreja e vários outros prédios com todos os graus de conforto, destinados às trinta ou quarenta famílias que alí faziam sua moradia, além da grande e bela casa de dois pavimentos, na margem do rio, que, entre limoeiros e flamboyants, exibia a brancura de suas paredes. Encontravam-se ali todas as espécies de bichos domesticados que serviam de distração ao pessoal. Dentre esses, destacava-se um veadinho com malhas brancas, sempre ávido de afagos. Meia dúzia de mutuns e jacus perambulava pelas dependências da casa; havia também papagaios de diversos tipos. Pelas imediações, quatro a cinco garças permitiram que delas nos aproximássemos até poucos passos, para só então voar graciosamente, regressando, logo em seguida, ao mesmo sítio”.
- Texto extraído do livro “Nas Selvas do Brasil” de Theodore Roosevelt.- Livraria Itatiaia Ltda. – SP 1976. Título do original americano publicado em 1914: “Through the Brazilian Wilderness”.
Sede da Fazenda Descalvados, agora sendo restaurada. Nikon D3x, Nikon PC-E 24mm f/3.5D ED.
Por essas portas passaram o ex-presidente norte americano Theodore Roosevelt que descreve brevemente a fazenda no livro "Nas Selvas do Brasil”. Nikon D3x, Nikon AF-S Zoom 14-24mm f/2.8G ED.
Escada de metal inteira trabalhada trazida da Inglaterra ainda na época dos belgas. Nikon D3x, Nikon AF-S Zoom 14-24mm f/2.8G ED
Vista da varanda da sede, onde se descortina o nascer do sol no Rio Paraguai. Nikon D3x, Nikon PC-E 24mm f/3.5D ED.
Um dos alojamentos dos empregados, antes de serem reastaurados. Nikon D3x, Nikon PC-E 24mm f/3.5D ED.
O cemitério abriga vários personagens da história da fazenda. Nikon D3x, Nikon PC-E 24mm f/3.5D ED.
Da esquerda para a direita: parte da oficina e charquearia, a casa do capataz, a pensão, alojamentos dos empregados. Nikon D3x, Nikon PC-E 24mm f/3.5D ED.
Interior do alojamentos dos empregados, composta de uma sala, um quarto e cozinha. Nikon D3x, Nikon PC-E 24mm f/3.5D ED.
A pequena igreja com imagens em tamanho natural de Nossa Senhora, São Roque e São Brás. Nikon D3x, Nikon PC-E 24mm f/3.5D ED.
O "sangueduto", que levada o sangue dos bois mortos na charquearia para o rio Paraguai. Nikon D3x, Nikon AF-S Zoom 14-24mm f/2.8G ED.
Portas da caldeira belga que fornecia energia para a fabrica. Nikon D3x, Nikon PC-E 24mm f/3.5D ED.
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